terça-feira, 21 de maio de 2019

Contar histórias, desfiar memórias


(Workshop com Marco Haurélio)

Contar histórias vai além do mero entretenimento. Uma das mais antigas expressões culturais da humanidade, a arte de contar histórias aproxima pessoas e cria laços afetivos que dificilmente serão rompidos com o tempo. Os velhos contos populares, sementes da tradição, nascidos não se sabe onde, trazidos não se sabe por quem, vivem na memória coletiva e ganham pontos nas vozes dos narradores-guardiões. Como identificar esses narradores, registrar e preservar as histórias? Marco Haurélio responderá a esta e a outras perguntas por meio de sua experiência como coletor e divulgador de centenas de contos e lendas brasileiras.


Marco Haurélio é escritor, professor e divulgador da literatura de cordel. Tem mais de 40 títulos publicados, a maior parte dedicada a este gênero que conheceu na infância, passada na Ponta da Serra, sertão baiano, onde nasceu. Vários de seus livros foram selecionados pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) para o Catálogo da Feira do Livro de Bolonha, Itália, e outros tantos, selecionados em diversos programas de governo. Em sua bibliografia destacam-se as obras Contos folclóricos brasileiros, Meus romances de cordel, Lá detrás daquela serra e Contos e fábulas do Brasil. Como produtor cultural, é curador do projeto “Encontro com o cordel”. Em 2018, a convite do Institute for Heritage de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, participou do International Forum Narrator, representando o Brasil. Recebeu, desta mesma instituição, uma medalha de honra, por sua atuação como autor e divulgador das tradições populares.  


Quando? 30 de de maio de 2019 (das 10:00 às 11:45).

Onde? FAPCOM - Rua Major Maragliano, 191 - Vila Mariana, São Paulo (SP)

Inscrições: (11) 5087-3716 | eventos@paulus.com.br

Para se inscrever, clique AQUI

ATIVIDADE GRATUITA.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

UM CONTO PARA O DIA DA TERRA

Adão e Eva


 'Adão e Eva', de Lucas Cranach, o Velho (1538)
Quando Deus criou o mundo, fez também um casal chamado Adão e Eva. Depois, o Criador deu uma fazenda para eles tomarem conta, mas alertou que não comessem o fruto do marmeleiro, pois era o do pecado. Adão, guloso que só ele, não resistiu e arrancou o fruto. Quando ia pondo na boca, Eva viu e correu em sua direção, para tomar para ela. Acontece que Adão já havia posto na boca e quando ia engolir, a mulher segurou-o pela garganta, impedindo a digestão. O fruto não subiu nem desceu, ficou enganchado, e virou esse nó que, desde então, todo homem tem na goela.

Como o pecado foi cometido, Deus disse a Adão que daquele momento em diante, como castigo, ele teria de trabalhar para viver. E Adão pegou a enxada e foi cultivar a terra. Só que quando ele batia a enxada, a terra gemia. Resolveu pegar um machado e foi cortar uma árvore para tirar lenha. Mas, assim que batia o machado, o sangue escorria do corte. Adão, apavorado, foi consultar o Criador, que o aconselhou a falar com a terra para se acalmar; tudo aquilo que a terra criasse, ela própria se encarregaria de comer.

Adão foi e fez como Deus recomendara e, a partir daquele dia, não houve mais choro nem gemido.

Assim, o homem nasce, cresce, comendo tudo o que a terra produz; depois é comido por ela em paga do benefício. Foi assim que a terra deixou de ser virgem.

Fonte: Isaulite Fernandes Farias (Tia Lili),
Igaporã, Bahia.

[In: Contos e Fábulas do Brasil, p. 177.]



sexta-feira, 19 de abril de 2019

Vozes da Tradição


Marco Haurélio é, na atualidade, um dos maiores coletores de contos tradicionais do Brasil. São centenas de versões, muitas delas já registradas em livros que são hoje leitura obrigatória para quem estuda ou, simplesmente, quer conhecer um pouco mais as tradições populares do nosso país. O projeto Vozes da Tradição, que nasceu de uma pesquisa no sertão baiano, em 2015, incluindo o registro feito em parceria com Lucélia Borges, ampliado com os contos ouvidos em Araxá (MG), é uma homenagem aos mestres e mestras do povo, guardiães da fonte da memória. São as vozes silenciadas pelo advento das novas tecnologias e pela dificuldade, inerente à condição humana, em conciliar o velho e o novo, ou melhor, em entender que as manifestações da oralidade estão para além das questões da temporalidade. As narrativas enfeixadas neste volume, ricamente ilustrado por Luciano Tasso, sugerem que abramos nossos ouvidos e nossos corações e sejamos, nós mesmos, elos dessa cadeia que nos conecta a povos e lugares, reais ou irreais, fazendo valer o princípio da fraternidade universal que norteia os contos do País da Infância. 

Na presente coletânea, todos os informantes e os locais da recolha são identificados. A maior parte dos contos pertence ao gênero maravilhoso, menos encontradiço hoje, devido a uma estrutura mais complexa, resultante de sua assombrosa ancianidade. É o caso de Guimar e Guimarim, que pertence ao ciclo de histórias que têm origem no mito de Jasão e Medeia, no qual o herói, numa terra estrangeira, conta com o auxílio da filha do rei para realizar tarefas impossíveis.

Se a literatura dos antigos salvou do esquecimento os deuses e heróis, os contos de tradição oral, por outro lado, preservam episódios e estruturas arcaicas, informações sobre ritos e mitos, nos conectando a um tempo que, talvez, somente nos sonhos e nos domínios do inconsciente ousássemos
perscrutar.

Página de abertura dos Contos maravilhosos

Livro: Vozes da Tradição
Ano da publicação: 2018
Editora: IMEPH (Fortaleza (CE), 184 págs.
ISBN: 978-85-7974-401-3

terça-feira, 9 de abril de 2019

Curso sobre o conto popular: origens, difusão, atualidade



Atenção, povo do conto, do canto, da letra e da voz! Em abril, estaremos de volta à Casa Tombada para mais uma imersão no maravilhoso mundo das narrativas tradicionais. 

Módulo 1

26/4
1) O vasto chão da cultura popular
Contos, mitos, ritos e lendas. Cantos, ensalmos, orações e romances. Superstições e costumes. O passado que não passa.

3/5
2) Conto popular: conceituação, origens, difusão e persistência
O que, afinal, vem a ser o conto popular? O que o distingue do conto literário? Podemos falar de uma origem comum do conto de tradição oral? Investigaremos as muitas correntes nascidas, principalmente, no século XIX, sob o influxo da descoberta do sânscrito, com a divulgação das ideias de Benfey, Max Muller e reação de Andrew Lang.

17/5
3) As mil faces do herói nos contos maravilhosos
A partir do conto do “Dragon slayer” (O matador de dragões – ATU 300), buscaremos as raízes históricas do mito do herói salvador. Tendo como ponto de partida o mito de Perseu e Andrômeda, passando por Apolo, vencedor de Python, Hércules, São Jorge, Tristão, Siegfried, entre outros, o herói que derrota monstro revive o grande drama mítico da humanidade: a luta da luz contra as trevas.

7/6
4) Comicidade e riso nos contos populares
O herói cômico, chamados por vezes d eanti-herói, aparece sob vários nomes, o maior comum deles, Pedro Malazarte (ou Malasartes). Mas pode ser João Grilo, Bertoldo, e também de Camões (Camonge) ou Bocage (Bocais). Till Eulenspiegel na Alemanha, Jean Machepied na França, Pedro de Urdemales na Espanha, Maestro Grillo na Itália, Nasrudim na Turquia, o personagem que vinga, por meio da astúcia, as injúrias e injustiças contra os desfavorecidos, tem mil e um nomes e número equivalente de truques. O contraponto feminino do trickster é a Maria Sabida, Maria Sutil [The Clever Peasant Girl, ATU 875], mais cerebral e menos cruel, respondendo com sagacidade ao despotismo real (que é, também, o despotismo masculino).

21/6
5) Narrativas pias populares: o legado de Oswaldo Elias Xidieh
Publicado em 1967, pelo Instituto de Estudos Brasileiros da USP, Narrativas pias populares é o primeiro livro voltado exclusivamente aos contos religiosos. Calcadas nos evangelhos canônicos, mas, principalmente, na vasta literatura apócrifa e no lendário medieval, impregnadas pela religiosidade sincera e pela ausência de dogmas, as narrativas pias são, por assim dizer, a Bíblia do povo, levada pelas águas da tradição para longe da fúria dos concílios, bulas e editos. Especial atenção será dada ao mito de deus que caminha entre os homens. Por que “Deus” (Zeus, Odin, Viracocha, Jesus) desce à terra? Seria esta a origem dos contos do rei que, em trajes de mendigo, testa o coração de seus súditos?

SUGESTÕES DE LEITURA
• ALCOFORADO, Doralice. O conto mítico de Apuleio no imaginário baiano. In: Estudos em literatura popular. João Pessoa: Editora Universitária/UFPB, 2004.
• AMARAL, Amadeu. Tradições populares. São Paulo: Hucitec, 1976. ARAUJO, Alceu Maynard. Cultura popular brasileira. 3ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
• BRANDÃO, Théo. Seis contos populares do Brasil. Maceió: MEC-SEC-Funarte, Instituto Nacional do Folclore, ufal, 1982.
• CALVINO, Ítalo. Fábulas italianas. Tradução de Nilson Moulin. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
• CARDIGOS, Isabel; CORREIA, Paulo. Catálogo dos Contos Tradicionais Portugueses (Com as versões análogas dos países lusófonos). CEAO da Universidade do Algarve / Edições Afrontamento: Portugal, 2015.
• CASCUDO, Luís da Câmara. Contos tradicionais do Brasil. 13. ed. São Paulo: Global, 2004.
• COELHO, Adolfo. Contos populares portugueses. Portugal: Compendium, 1996.
• GOMES, Lindolfo. Contos populares brasileiros. 3. ed. São Paulo: Melhoramentos, 1965.
• GUIMARÃES, Ruth. Calidoscópio: a saga de Pedro Malasartes. São José dos Campos: JAC Editora, 2006.
• HAURÉLIO, Marco. Contos e fábulas do Brasil. Classificação e notas: Paulo Correia. São Paulo: Nova Alexandria, 2011.
• Contos folclóricos brasileiros. Classificação e notas: Paulo Correia. São Paulo: Paulus, 2010.
• O príncipe Teiú e outros contos brasileiros. São Paulo: Aquariana, 2012.
• Wilson Marques. Contos e Lendas da Terra do Sol. São Paulo: Paulus, 2019.
• NASCIMENTO, Bráulio do. Estudos sobre o conto popular. São Paulo: Terceira Margem, 2009.
• PIMENTEL, Altimar. Estórias de Luzia Teresa (Três volumes). Brasília: Thesaurus, 1995.
• PROPP, Vladimir. As raízes históricas do conto maravilhoso. 2. ed. Tradução de Rosemary Costhek Abílio. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
• ROMERO, Sílvio. Contos populares do Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia, São Paulo: Edusp, 1985.
• XIDIEH, Oswaldo Elias. Narrativas pias populares. São Paulo: Instituto de Estudos Brasileiros – USP, 1967.

Quem é o professor?

Marco Haurélio é formado em Letras Vernáculas pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Desde 2005, desenvolve um trabalho de recolha, catalogação, classificação e difusão de gêneros da tradição oral brasileira, com destaque para contos e cantos populares. Autor, pesquisador e divulgador da literatura de cordel, tem mais de 40 títulos publicados, a maior parte dedicada a este gênero. Foi curador do Espaço do Cordel e do Repente na Bienal de São Paulo em 2016 e 2018. Também é o idealizador e curador do projeto Encontro com o Cordel, realizado pelo SESC 24 de Maio. Profere palestras e ministra oficinas e cursos sobre o cordel e o conto popular em feiras, bienais e espaços culturais. Vários de seus livros foram selecionados pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) para o Catálogo da Feira do Livro Bolonha e outros tantos, selecionados em diversos programas de governo. Em 2017, foi finalista do Prêmio Jabuti com a obra Cordéis de Arrepiar: Europa (IMEPH).

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domingo, 3 de março de 2019

Os Contos do Papagaio






A quem interessar possa, encontrei na web uma versão em PDF do Tooti-Nameh (Tales of a Parrot), a coletânea persa de contos populares. Originário da Índia, o Tooti-Nameh (grafa-se também Tutinama, Touti-Nameh, Tuti-Namé etc.) é uma tradução resumida do Śukasaptati (Setenta Contos do Papagaio) e publicada no século XIV. Acredita-se que a versão persa, com 52 histórias, tenha sido redigida por Ziya'al-Din Nakhshabi, um santo sufi que se estabeleceu em Badayun, Uttar Pradesh, na Índia, no século XIV. O eixo central da história é o papagaio que, na ausência do amo, distrai sua mulher, evitando que ela seja conquistada por um fidalgo (ou um estrangeiro) caído de amores.

Silvio Romero é o responsável pelas duas primeiras versões brasileiras da história, ambas intituladas "O Príncipe Cornudo", colhidas em Sergipe, em que o tema do papagaio que a sua dona serve de moldura para outras três histórias. Câmara Cascudo, de modo similar, coligiu "A História de um Papagaio", nos Contos Tradicionais do Brasil, e, em 1900, Ataíde Oliveira incluiu "Um Papagaio" nos Contos Tradicionais do Algarve. Temos ainda "O Papagaio Conselheiro", versão cearense de Francisco de Assis de Souza Lima," A História do Papagaio", exemplar maranhense, de Laura de Paula, que não me foi possível ler. Certo é que, desde a velha Índia, a história corria nas águas da tradição, sendo depois compilada e ampliada pelo redator à maneira das coletâneas orientais.

Na literatura de cordel há uma versão clássica, O Papagaio Misterioso, de Luís da Costa Pinheiro, sem a estratégia das histórias como meio de distração, mas com a velha alcoviteira (o diabo personificado) e São Miguel disfarçado na ave que dá título ao romance. Alvino, o herói casado com a princesa, é o general do rei, que se afasta de casa, para ir lutar numa guerra. O conquistador é seu pérfido irmão Jobão, tentado pelo diabo. Nas versões de Silvio Romero, ao final, o Papagaio salvador também se revela um anjo.

É O Papagaio Contador de Histórias (The Tale-Telling Parrot) no índice de motivos de Aarne-Thompson-Uther (ATU1352A).



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terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Lançamento: Contos e Lendas da Terra do Sol


Acaba de ser lançado, com o selo da Paulus Editora, o livro Contos e Lendas da Terra do Sol, escrito em parceria com Wilson Marques e ilustrado por Robson Araújo. Abaixo, um trecho da Introdução:

Este livro reúne contos populares e lendas ouvidos da boca do povo. Foram recolhidos na Bahia e no Maranhão, entre os anos de 2005 e 2013. Os exemplares da Bahia foram recolhidos por mim, Marco Haurélio, e os do Maranhão pelo escritor Wilson Marques. Há mais quatro contos provenientes de duas cidades do Ceará, com uma singularidade: os informantes, Arievaldo Viana e Djanira Feitosa são cordelistas. São todos, portanto, raros exemplos da riqueza da cultura popular brasileira, ainda viva em pleno século XXI. Fazem parte do grande acervo das tradições imemoriais, surgidas não se sabe quando, vindas não se sabe de onde.

O projeto nasceu da persistência de Wilson Marques, inspirado no livro Contos folclóricos brasileiros, publicado em 2010 pela Paulus Editora, que reuniu 36 narrativas populares resultantes de uma recolha que fiz no sertão baiano cinco anos antes. Em 2011, outra publicação, Contos e fábulas do Brasil, ampliava o repertório, com 69 narrativas. Decidimos que, além dos contos, o nosso livro reproduziria, ainda, um conjunto de lendas, algumas pouco conhecidas, como a do Pai do Mato ou a de Mena, a mulher-onça, e outras bastante difundidas, como é o caso da lenda da mandioca.

O título do livro também não oferece dificuldades no tocante à sua escolha. A Terra do Sol é o Nordeste, região cujos biomas predominantes, a caatinga e o cerrado, serviram de cenário para muitas sagas e alimentam ainda o imaginário de muitos contadores de histórias, que incluem, também, os poetas de cordel e os cantadores populares. O filme de Glauber Rocha, Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), é a referência mais óbvia, mas não a principal. Em 1912, o escritor Gustavo Barroso, um dos pioneiros no estudo do folclore brasileiro, publicou, sob o pseudônimo de João do Norte, a obra Terra de Sol, na qual reunia farta documentação sobre os usos e costumes do seu estado natal, o Ceará.

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quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Um mestre, muitas histórias



José Alexandrino de Oliveira (seu Zé) nasceu na comunidade de Riachão, em Carinhanha, município baiano lindeiro a Minas Gerais. Trabalha de alugado, mas planta também no terreno em que construiu sua casa no bairro da Bela Vista, em Serra do Ramalho. Gosta de contar histórias e anedotas, não importa a ocasião. Está sempre sorrindo e de bem com a vida. De todos os narradores tradicionais que conheci, é o de repertório mais amplo e eclético. De contos de animais a histórias de exemplo, de enredos novelescos a narrativas de cunho maravilhoso, passa horas esquecidas exercitando sua memória privilegiada.

No livro Vozes da Tradição (IMEPH), reproduzo sete contos narrados por ele. Imaginava serem os únicos de que se lembrava, mas, em nossa última passagem pela Bahia, descobrimos que seu Zé é uma fonte aparentemente inesgotável. Encontrei-o por acaso, quando realizava um serviço para a minha mãe. Ajudei-o a levar uns vasos de planta para o fundo da casa e, enquanto trabalhava, ele emendava uma história atrás da outra. Em duas outras oportunidades, Lucélia e eu fomos visitá-lo em sua casa, à noite, a melhor hora para se contar histórias. E foram mais de 30 além daquelas que ele lamentou lembrar apenas umas partes (Maria Borralheira e a história da Filha do Diabo).

Das muitas que nos narrou, destaco as versões de “O homem forte e seus companheiros” (ATU 301B), A Morte madrinha (ATU 332), Plácidas ou "O homem que sofreu quando era novo" (ATU 938), dos contos jocosos do tolo que serra o galho onde se encontra sentado (ATU 1240), do “Urubu adivinhão (ATU 1535, parte III) e a história do afortunado homem da vaquinha (ATU 1415), cordelizada por Francisco Sales Areda, e muitas, muitas outras.

Enfim, seu Zé é um mestre que merece ser escutado.