sexta-feira, 11 de outubro de 2019

A princesa Aslaug e a Maria Sabida



 Kráka (Aslaug), por Mårten Eskil Winge, 1862.

Na saga de Ragnar Lodbrok, recontada de forma um tando exagerada na série televisiva Vikings, uma o idílio deste herói com Aslaug, filha de Sigurd e Brunhilde, merece especial destaque. Lá, é narrado um curioso episódio: os soldados de Ragnar, fascinados com a beleza de Aslaug, também chamada Kraka (Corvo), que se banhava naquele instante, esquecem um pão ao fogo, e têm de prestar  contas ao seu líder. Este envia um mensageiro a Aslaug, com um desafio: ela deverá comparecer à sua presença nem vestida nem nua, nem alimentada nem faminta, nem acompanhada nem só. Ela surge coberta por uma rede de pesca, mastigando um alho-poró (ou uma cebola) e acompanhada de um cachorro. Na série de TV, em que Aslaug é interpretada por Alyssa Sutherland, episódio é mostrado. com uma maçã substituindo o alho-poró, o que ameniza o efeito cômico (Ver Andrew Lang. Prefácio à obra Cinderella: Three Hundred And Fourty-Five Variants, de Marian Roalfe Cox, publicada pela Folk-Lore Society, de Londres, em 1893).
Aslaug, interpretada pela atriz Alyssa Sutherland.

O motivo que envolve a história, uma nota singela em meio à história sangrenta de Ragnar e de sua família, pertence ao ciclo da Maria Sabida (The Clever Peasant Girl: ATU 875), a esperta camponesa de tantos contos europeus, que, usando artifícios de sedução, consegue ludibriar um rei pelo qual se apaixona. No Brasil, aparece geralmente num conto fragmentado protagonizado por Bocage, Camões, João Grilo e Bertoldo, e raramente na pele da heroína que domina o rei por sua beleza, mas, principalmente, por sua astúcia.



Nenhum comentário:

Postar um comentário